Ucrânia: O conflito entre ocidente versus Rússia


Como podemos compreender os acontecimentos que nos envolvem diariamente? Muitas informações parecem amedrontar os alunos prestes a realizar concursos, principalmente na prova de atualidades. É comum os examinadores perguntarem o que ocorreu em um determinado período e as pessoas envolvidas. Por exemplo, podemos citar uma questão que caiu em um concurso no sentido de identificar quem foi o ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2009.

Para responder corretamente esta questão, é preciso usar a memória e, portanto, ler notícias todos os dias a respeito de assuntos em bastante evidência. O vencedor do prêmio Nobel da Paz foi o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Porém, há outras questões que exigem um conhecimento das causas que levaram tal acontecimento a ocorrer. Atualmente estamos diante de fatos que nunca pensamos que ocorressem, como a aproximação dos EUA com Cuba, por exemplo, ou mesmo que um papa argentino pudesse ocupar o poder religioso da Igreja Católica em Roma. Entretanto, é possível enxergar determinados traços bem característicos da Guerra Fria, que opôs americanos e soviéticos no cenário global. É o caso da Ucrânia, que na época desta oposição entre capitalismo e socialismo, pertencia aos soviéticos. Vamos entender quais os elementos que estão em jogo no tabuleiro internacional. De modo, didático, podemos incluir inicialmente as seguintes considerações:

  • Desde o século XVI, a Ucrânia não era território russo, mas, através de Ivan, o Terrível, alongou o território russo além de suas fronteiras. Isto significa que se alguma potência ocidental da Europa desejasse atacar a Rússia, ela tinha condições de se preparar para a defesa.

  • Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os alemães invadiram a URSS a partir da Ucrânia. Portanto, era óbvio que Joseph Stálin, presidente da União Soviética, tomaria a região da Ucrânia para si.

  • Durante toda a Guerra Fria (1947-1991), a Ucrânia integrava as 15 repúblicas da União Soviética.

Com o fim da Guerra Fria, o capitalismo tornou-se vencedor no cenário econômico e político mundial, e desta forma, acabou por disputar áreas da Ex- URSS para realizar vários acordos políticos e comerciais com estas antigas repúblicas de Moscou. A Ucrânia é parte importante, do ponto de vista geopolítico, pois, possui saída para o Mar Negro, como também, dá acesso ao gás natural proveniente da Rússia, através de imensos gasodutos. A disputa recente entre União Europeia, EUA, e por outro lado, a Rússia pela Ucrânia, simplesmente tornou as relações entre Vladimir Putin, da Rússia, e Obama, dos Estados Unidos insuportáveis.

A questão gira em torno do fato de que parte da sociedade ucraniana deseja se integrar com a União Europeia, onde a grande locomotiva é a Alemanha, país que mais cresce na Europa, e os separatistas, chamados também de terroristas, pelo governo de Kiev, capital do país. A alternância de poder entre as mais diversas facções políticas da Ucrânia, torna a estabilidade financeira da nação cada vez mais combalida. Muitos já morreram no conflito entre aqueles que são pró-Rússia, e os que desejam se aproximar do mundo ocidental, União Europeia e os Estados Unidos. O líder russo, Vladimir Putin declarou várias vezes que não quer a Ucrânia orbitando a esfera europeia – americana, porque considera natural que os ucranianos tenham maior afinidade com os eslavos russos. Exércitos da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e militares da Rússia estão de prontidão para revidar qualquer ataque unilateral. A situação ainda é tensa, mesmo com o acordo de Minsk para o cessar fogo.

De qualquer maneira, os países ocidentais declararam embargo econômico aos russos, pela presença militar existente do exército russo na fronteira com a Ucrânia.

Paulo Cesar Gomes de Souza é professor de História, Filosofia e Política em faculdades e escolas públicas e particulares.


Sobre Paulo Cesar

Paulo Cesar é professor desde 1993 com Bacharelado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, bolsista pelo CAPES – CNPq em Iniciação Científica – História e Filosofia da Ciência, possui licenciatura em História pela Faculdade Claretiano – São Paulo. Teve participação de simpósios sobre Relações Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas- Unesp, Unicamp e Puc – SP e de cursos sobre Relações Internacionais pelo Ceiri e sobre o Papel Econômico dos Brics no século XXI. É professor do ensino público e privado de Santos, São Paulo e Praia Grande; pela Plataforma Profes de História, Atualidades, Sociologia e Filosofia. Contato pelo email: paulocsgomes@gmail.com ou pelo perfil no PortalProfes.

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