A reaproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos


Carros Cubanos

É comum as pessoas me perguntarem sobre os motivos que levaram à aproximação política entre Estados Unidos e Cuba, país caribenho da América Central, isolados diplomaticamente por mais de 50 anos. O presidente Obama, que deixará o cargo em 2017, procurou estabelecer no primeiro mandato de seu governo uma aproximação com Havana. As primeiras reuniões foram bem tímidas sem chegar a alguma conclusão concreta, entretanto, foi uma promessa de campanha do Democrata Barack Obama em 2008. No entanto, após ganhar o prêmio Nobel da Paz em 2009, a imagem que o presidente da maior potência econômica e militar do planeta era a de passar a imagem ao mundo de conciliador, mas, somente no segundo mandato ele obteve sucesso, principalmente com relação a esta aproximação diplomática. No entanto, esta aproximação dos EUA com Cuba somente se deu em virtude da influência geopolítica da China sobre a América Latina. Nos últimos tempos, o governo da China iniciou negociações na área econômica e política junto aos países da América Central, tentando investir em infraestrutura, como a construção de um novo canal que possa substituir o Canal do Panamá, criado pelos EUA no início do século XX, ligando os Oceanos Atlântico e Pacífico, e que se tornou obsoleto para a navegação atual. E há uma explicação para isto:

Estátua da Liberdade

Os Estados Unidos, desde o século XIX, considerou a América Latina como sua área de total influência, inibindo as potências europeias de se reaproximarem dos países de língua espanhola. Com o advento da Doutrina Monroe, “América para os americanos”, lançada pelo presidente James Monroe em 1823, os americanos trataram de introduzir um escudo capaz de neutralizar quaisquer tentativas de nações europeias de recolonizarem o continente, como o caso da Espanha sobre Cuba e demais territórios de língua espanhola. Nenhum outro presidente, principalmente os republicanos conseguiram lidar com esta questão espinhosa de ter no continente americano um país que ao derrubar o ditador Fulgêncio Batista em 1959, se tornou comunista, obtendo ajuda da União Soviética (URSS). O auxílio financeiro do governo de Moscou de 1 bilhão de dólares anuais a Fidel Castro, de um certo modo, trazia uma tranquilidade econômica a Cuba, podendo investir em saúde e educação. Os reflexos disso se traduziram por uma taxa zero de analfabetismo. Porém, em contrapartida a repressão política pelo fato de as críticas ao governo de Cuba feitas pela sua própria população foi alvo de críticas da comunidade internacional desde a década de 1960, alimentadas pelo governo de Washington. Foi na década de 1960, sob o governo Kennedy, que o mundo quase fora destruído por um conflito nuclear entre as duas superpotências da Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética, quando o presidente da URSS instalou mísseis nucleares na ilha caribenha em outubro de 1962, episódio conhecido como A Crise dos Mísseis Cubanos. Os quinze dias que se sucederam em troca formais de acusação de ambos os lados não ajudava a resolver a situação sem haver uma Terceira Guerra Mundial. Os relatos deste momento crítico da política internacional da época estão registrados no livro “Os Treze Dias que Abalaram o Mundo”, escrito por Bob Kennedy, que virou filme no começo dos anos 2000.

Contudo, com a Queda do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989, os 1 bilhão de dólares vindos da URSS simplesmente desapareceram, gerando uma enorme crise econômica em Cuba, trazendo sérios revezes para a sua população. Neste momento, o neoliberalismo, que em verdade se traduziu pela vitória do sistema capitalista contra o socialismo representado pela URSS. Assim, as décadas de penúria financeira vivida pelo povo cubano trouxe uma discussão em torno de alternativas econômicas ao país. Além disso, para que os cubanos pudessem ter emprego e melhores condições de vida, com acesso a produtos cada vez mais escassos, como sabonetes, alimentos etc. teria que romper com o Embargo Econômico, que ainda vigora em Cuba, para importar todo tipo de produtos. O embargo foi instituído pelo presidente John Kennedy, após o acordo com os soviéticos para que estes retirassem os mísseis da ilha.

Desta forma, a visita do presidente Obama no sentido de estreitar laços com Cuba e com a oligarquia dos irmãos Castro, é um fato extremamente importante para que a ilha caribenha possa ter melhores condições sociais, políticas e econômicas para seu povo do que possui atualmente.

Paulo Cesar Gomes de Souza é professor de História, Filosofia e Política em faculdades e escolas públicas e particulares.


Sobre Paulo Cesar

Paulo Cesar é professor desde 1993 com Bacharelado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, bolsista pelo CAPES – CNPq em Iniciação Científica – História e Filosofia da Ciência, possui licenciatura em História pela Faculdade Claretiano – São Paulo. Teve participação de simpósios sobre Relações Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas- Unesp, Unicamp e Puc – SP e de cursos sobre Relações Internacionais pelo Ceiri e sobre o Papel Econômico dos Brics no século XXI. É professor do ensino público e privado de Santos, São Paulo e Praia Grande; pela Plataforma Profes de História, Atualidades, Sociologia e Filosofia. Contato pelo email: paulocsgomes@gmail.com ou pelo perfil no PortalProfes.

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