O Brasil no Pós-Guerra – Aspectos políticos, sociais e econômicos 1


No Pós-Guerra (1945), o quadro geopolítico se transformou de maneira radical baseado principalmente na divisão Bipolar, representado pelas superpotências da época, a saber: Estados Unidos e União Soviética (URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Este período é conhecido como Guerra Fria (1947-1991), cuja característica principal é a existência de antagonismos ideológicos entre comunismo ou socialismo, por um lado, e capitalismo por outro, este defendido pelos norte-americanos de modo bastante intenso. Entretanto, qual a relação do Brasil com as questões ligadas à Guerra Fria? A resposta é tudo.

Iniciamos a nossa exposição a partir do fato de que o Brasil, durante o governo de Getúlio Vargas no período do Estado Novo enviou tropas para a Itália, Monte Castelo para guerrear contra os soldados alemães e os fascistas italianos na Segunda Guerra Mundial. O gesto de Getúlio se deu porque os americanos temiam que o governo brasileiro pudesse se inclinar aos fascistas e nazistas e auxiliá-los na guerra, enviando aço para fabricação de material bélico para a Alemanha e Itália. Hitler havia prometido a construção de uma siderúrgica pela Krupp de capital alemão na década de 1940. Ora o presidente dos EUA Franklin Delano Roosevelt agiu de forma a neutralizar a influência de ideias nazistas no Brasil. O nosso país desde o início da década de 1930 contava com ministros de origem política autoritária, e era natural que Getúlio pudesse apoiar o Nazi-fascismo na Europa sem esforços. Deste modo, Roosevelt acabou de ceder gentilmente a siderúrgica, conhecida como Companhia Siderúrgica Nacional na cidade de Volta Redonda no Estado do Rio de Janeiro.

Com a vitória dos Aliados em 1945, o Brasil passou a pleitear junto aos Estados Unidos uma posição no cenário internacional de prestígio, tornando-se o parceiro essencial dos americanos. Isto acabou não ocorrendo de modo completo, e os governos que sucederam Vargas tiveram que encontrar novas formas de desenvolver o país. O desenvolvimentismo tornou-se a palavra de ordem no Brasil, ou seja, gerar empregos pelas indústrias tomando capital externo. Além disso, os militares desejavam também uma aproximação com a indústria bélica americana no sentido de haver troca de informações e transferência de tecnologia. Porém, isso não aconteceu. De 1946 a 1964 mostrou-se ser um período democrático, e, no entanto, de populismo, pois, os governantes prometiam cumprir as reivindicações populares de maneira integral, entretanto, muita coisa fora deixada de lado, e o acúmulo de problemas só aumentou. De modo didático, podemos assegurar que este momento histórico do país foi tumultuado, tendo em vista que não apenas os desenvolvimentistas estavam no cenário político do país, como também os socialistas e comunistas (PCB), que desejavam subverter a ordem capitalista e implantar uma sociedade sob os preceitos do socialismo, preconizado por Karl Marx. Para colocar outro ingrediente que fez com que a complexidade política aumentasse, e os interesses em jogo sofressem alterações significativas. O grupo militar de funcionários de alta patente que refletiam sobre o Brasil e em qual projeto político poderia se encaixar entrou no jogo e se manifestou a favor de um país capitalista, mas, dependente dos interesses políticos norte-americanos. Este último grupo conseguiu vencer em 1964, após o golpe civil –militar que perduraria até 1985. Abordemos, então, o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-1950), o primeiro presidente do Pós-Guerra a inaugurar a fase democrática.

Embora mencionemos este período como democrático, não podemos afirmar que o governo Dutra tenha seguido a democracia. Ao depor Vargas, isto mesmo, Getúlio foi derrubado por Dutra, ministro da Guerra durante o Estado Novo, e eleições ocorreram. Dois partidos criados por Vargas figuraram neste período, PSD, (Partido Social Democrático), e o PTB, (Partido Trabalhista Brasileiro). O primeiro ligado às oligarquias rurais e as elites urbanas, enquanto o último associado aos trabalhadores e sindicatos. Ou seja, Getúlio mantinha ainda uma influência sobre estes grupos, e indiretamente sobre a população vinculada a tais partidos. A questão é que o governo e a administração de Dutra foi completamente marcada por diversos problemas, reprimindo greves e suprimindo aumentos salariais, principalmente do salário mínimo. Podemos destacar a passagem de Eurico G. Dutra da seguinte forma:

  • Constituição de 1946, promulgada pelo Congresso Nacional, ofereceu uma continuidade no conservadorismo no aspecto social impedindo que os latifúndios sofressem quaisquer alterações.

  • Cassação do PCB (Partido Comunista Brasileiro) em 1947, colocando-o na ilegalidade.

  • No plano externo Dutra se aproxima dos interesses norte – americanos, rompendo relações diplomáticas com a URSS, seguindo os ditames da Guerra Fria.

  • Nas questões sociais e econômicas, o presidente Dutra lançou o pacote SALTE, (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia). Pouca coisa saiu do papel, fazendo com que o Brasil não conseguisse grandes avanços.

  • Liberação de importações tornou a Balança comercial desfavorável, queimando os $ 700 milhões de dólares que acumulamos durante a Segunda Guerra. Trocando em miúdos, ficamos sem respaldo financeiro para arcar com nossos compromissos.

Desta maneira, nos despedimos de mais uma análise da História do Brasil Contemporâneo, na próxima aula abordaremos as realizações do governo J.K.

Paulo Cesar Gomes de Souza é professor de História, Filosofia e Política em faculdades e escolas públicas e particulares.


Sobre Paulo Cesar

Paulo Cesar é professor desde 1993 com Bacharelado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, bolsista pelo CAPES – CNPq em Iniciação Científica – História e Filosofia da Ciência, possui licenciatura em História pela Faculdade Claretiano – São Paulo. Teve participação de simpósios sobre Relações Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas- Unesp, Unicamp e Puc – SP e de cursos sobre Relações Internacionais pelo Ceiri e sobre o Papel Econômico dos Brics no século XXI. É professor do ensino público e privado de Santos, São Paulo e Praia Grande; pela Plataforma Profes de História, Atualidades, Sociologia e Filosofia. Contato pelo email: paulocsgomes@gmail.com ou pelo perfil no PortalProfes.


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