Quando e como usar a vírgula corretamente e de forma fácil


O uso da vírgula sempre foi motivo de discussão desde que surgiu para facilitar a leitura e a compreensão dos textos. Usá-la corretamente será o objetivo deste texto.

Para uns, um misterioso código indecifrável da Língua Portuguesa ligado à análise sintática, para outros, uma pausa para respirar durante a leitura. Parou para respirar, coloca uma vírgula. Respirou de novo, coloca mais uma.

Para acabar com esse mito da pausa para respiração e descomplicar o que pode parecer um bicho de sete cabeças para as suas redações, vamos entender melhor como ela funciona.

A vírgula pode estar ligada ao aspecto sintático (a ordem dos elementos em uma frase), estilístico (estilo da linguagem utilizada) ou aos dois simultaneamente. Serve para separar elementos e pode alterar completamente o sentido da mensagem, como podemos ver neste vídeo:

Existem algumas regras para o uso da vírgula, mas vamos começar por:

Como NÃO usar a vírgula

1. NÃO separe sujeito do predicado!

Lembra da sua professora da escola que dizia “para encontrar o sujeito, faça a pergunta ao verbo. Encontrou o sujeito, o resto é predicado”? Pois é isso mesmo.
Na frase:

Os estudantes não fizeram a prova.
Quem não fizeram a prova? “Os estudantes”. Este é o sujeito. O resto, “não fizeram a prova” é predicado. Entre os dois NÃO deve haver vírgula!

2. NÃO há vírgula entre verbos e seus complementos!

Ainda seguindo os ensinamentos da sua antiga professora, vamos fazer a pergunta novamente para encontrar o sujeito e os complementos, no caso o objeto direto e indireto:

Juliano emprestou seu carrinho para seu irmão.
Quem emprestou o carrinho para seu irmão? “Juliano”. Juliano, portanto, é o sujeito. Quem empresta, empresta algo. Juliano emprestou o que? “Seu carrinho” (objeto direto). Para quem? ”Para seu irmão” (objeto indireto, pois existe preposição).
NÃO podemos colocar vírgula mesmo que os objetos estivem invertidos:

Juliano emprestou para seu irmão seu carrinho.

3. NÃO podemos separar substantivo de um adjunto adnominal!

Como o próprio nome já diz, adjunto adnominal é aquilo que está junto, que faz referência a um nome. Nome é tudo aquilo que não é verbo: substantivos, adjetivos, advérbios.

Regina Duarte interpretou a Rainha da Sucata.

Nesse exemplo, “da sucata” está completando o sentido de rainha. Rainha é um substantivo, portanto, “da sucata” é um adjunto adnominal.

Stipula fountain pen

Vejamos agora as regras de como usar a vírgula:

Regra 1. Vírgula para quebrar a ordem direta

Sempre que as frases estiverem na ordem direta, não há vírgula. Primeiramente, vamos lembrar o que é a ordem direta em uma frase. A ordem direta deve seguir um padrão: Sujeito + Verbo + Complemento. Se houver algum elemento que quebre essa ordem, então utilizamos a vírgula.

Vejamos:

Ordem direta: Eu comprei doze livros didáticos ontem à noite.
Se eu inverter a ordem: Eu comprei, ontem à noite, doze livros didáticos.
Ou: Ontem à noite, eu comprei doze livros didáticos.

Regra 2. Vírgula para assinalar o Vocativo

Vocativo é como eu “evoco” alguém. É um chamamento.

Deus, me ajude! – “Deus” é a forma que estou evocando uma santidade.
Capitão Nogueira, compareça ao local da emergência – “Capitão Nogueira” é quem estou chamando.

Sempre que houver vocativo, há vírgula, mesmo que não esteja no início da frase:
Recolha todos os seus brinquedos, Julia.

Regra 3. Vírgula para assinalar Aposto

O aposto é um termo da oração que serve para explicar um termo anterior, esclarecendo ou qualificando. Aquela sua professora dizia que o aposto não faz falta, pode-se retirar que não causa prejuízo no entendimento.

Mário, casado com a minha prima, é um ótimo engenheiro.

Nesse caso, estou explicando quem é Mário. Quando há aposto, este deve vir isolado por vírgulas. Em contrapartida, a frase também teria sentido se eu dissesse “Mário é um ótimo engenheiro”. A frase não perde o sentido, mas o aposto agrega informações.

Agora vamos comparar estas frases:

Os estudantes cansados não fizeram a prova.
Os estudantes, cansados, não fizeram a prova.

Consegue perceber a diferença entre as duas? No primeiro caso, sem o uso de vírgulas, podemos entender que apenas os estudantes que estavam cansados não fizeram a prova. Os demais, fizeram a prova normalmente.
Na segunda frase, estou qualificando os estudantes. Quero dizer que todos os estudantes estão cansados, por isso não fizeram a prova.
Podemos dizer que o primeiro caso é um termo Restritivo e o segundo, Explicativo. Se estou explicando, uso vírgulas, se estou restringindo, não uso.

Regra 4. Vírgula precedendo termos de um mesmo valor sintático

Parece difícil, né? Mas vamos colocar de outra forma. Termos de um mesmo valor sintático são termos que pertencem a uma mesma categoria, substantivos, adjetivos.

Dinheiro, fama ou ciência não traz felicidade.
Dinheiro, fama e ciência são substantivos. Como pertencem a um mesmo grupo, separo todos os elementos com vírgula

O seu sorriso, a sua boca e os seus olhos fazem meu coração disparar.

Nota: Quando o último elemento for introduzido por “e”, “ou” ou “nem”, não se usa vírgula.

Regra 5. Vírgula em Orações Coordenadas

Vamos entender. Para ser uma oração, a frase precisa de um verbo. Uma oração coordenada é aquela que não depende de outra para fazer sentido. Elas são divididas em dois grupos:

– Assindéticas
– Sindéticas

As orações assindéticas não usam conjunções, utilizam apenas vírgulas para unir as orações.

Vim, vi, venci.
Abriu a porta, apagou as luzes, sentou no sofá, ligou a TV e assistiu ao jornal.

O grupo das sindéticas exigem ambos. As conjunções e as vírgulas.

Aquele garoto estudou muito, mas não passou no vestibular.
Feche a janela, que vai esfriar.

Regra 6. Vírgula antes do “e”.

O “e” é uma conjunção aditiva. Significa que eu estou adicionando algo, e nesse caso não devemos usar vírgula.
Porém, há casos em que o uso da vírgula antes do “e” é opcional e casos onde o uso é obrigatório.
O uso é obrigatório quando as orações apresentarem sujeitos diferentes ou quanto o “e” se repetir. A repetição do “e” é um recurso literário. Portanto, em uma redação, não deve ser utilizado. Por exemplo:

Fez-se o céu, e a terra, e o mar.

Vejamos outros exemplos:

Renata escreveu um artigo, e Marcelo o publicou.

Vamos fazer a pergunta novamente para encontrar o sujeito: “Quem escreveu um artigo?” -Renata. “Quem o publicou?” – Marcelo. Neste caso, como a oração apresenta sujeitos diferentes, podemos colocar a vírgula antes do “e”. Digo podemos, pois é um caso opcional. Não estará errado se não colocarmos.

Já são dez horas, e a aula ainda não terminou.

Neste caso, o “e” está aparecendo como uma conjunção adversativa, apresentando ideias opostas. As conjunções adversativas são aquelas que em tempos idos, os alunos recitavam de cor: mas, porém, entretanto, todavia, contudo. Lembrou? Então, o “e” está aparecendo aqui com esse sentido, de conflito de ideias.
Já são dez horas (ideia positiva), mas a reunião ainda não acabou. (ideia negativa)

Regra 7. Vírgula em Orações Condicionais

Condição é aquilo que se impõe como necessário para algo ser realizado. As orações condicionais têm como principal conjunção o “se”, mas também existem outras: caso, contanto que, desde que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem que, uma vez que.
Não importa qual o tempo verbal, sempre que houver uma conjunção condicional, haverá vírgula para o termo seguinte, de condição. Vejamos:

Se a prova tivesse sido hoje, eu teria me preparado melhor.
Podem dizer o que quiserem, contanto que não mintam.
Iria, se eu pudesse!

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